Sankhya reserva R$ 200 milhões para novas compras e consolida CRM, sales engagement e martech rumo ao R$ 1 bilhão
Com a nona aquisição fechada e um caixa de R$ 200 milhões separado para M&A até 2026, a empresa de gestão empilha Ploomes (CRM) e Meetime (sales engagement) numa esteira que mira R$ 1 bilhão de faturamento.
O que aconteceu
A Sankhya, empresa mineira de software de gestão, anunciou sua nona aquisição e reservou R$ 200 milhões para novas compras até 2026. A informação foi divulgada com exclusividade pelo NeoFeed em 9 de maio de 2025, em reportagem de Moacir Drska. A empresa adquiriu a Flowbiz, ex-Mailbiz, companhia gaúcha de marketing e automação digital para e-commerce, sem revelar os termos financeiros.
O movimento é parte de uma esteira agressiva de fusões e aquisições. Desde 2021, a Sankhya realizou oito operações anteriores, entre elas a compra da Ploomes, plataforma de CRM, e da Meetime, especializada em sales engagement. O grupo trabalha com um planejamento de dois a três acordos por ano e projeta superar R$ 1 bilhão de faturamento até 2026, contra R$ 294 milhões divulgados em 2022.
"A combinação de geração de caixa com o aporte do GIC nos dá recursos suficientes." André Britto, CFO da Sankhya, ao NeoFeed
A tese de consolidação
O que a Sankhya está montando é um ecossistema que vai muito além do ERP tradicional. Ao trazer para dentro de casa um CRM industrial (Ploomes), uma ferramenta de cadência e engajamento de vendas (Meetime) e agora uma plataforma de marketing para e-commerce (Flowbiz), a empresa costura uma cadeia que cobre da geração de demanda ao faturamento. O reforço veio do aporte de R$ 425 milhões do fundo soberano de Singapura, o GIC, que deu fôlego de capital para a estratégia.
Comandada pelo fundador e CEO Felipe Calixto, a Sankhya cresceu de 15 mil clientes em 2020 para mais de 35 mil, com as empresas adquiridas avançando entre 50% e 60% ao ano dentro do grupo. O objetivo é claro: disputar espaço com TOTVS e SAP no mercado brasileiro de software de gestão, usando o CRM e o sales tech como portas de entrada e retenção.
O que muda para o Brasil
Para o mercado de CRM, a esteira da Sankhya é o retrato de uma tendência estrutural: os CRMs brasileiros independentes estão sendo absorvidos por grupos de ERP. Ploomes e Meetime, que já foram histórias de sucesso autônomas de sales tech nacional, hoje operam dentro de um conglomerado que vende gestão de ponta a ponta. Isso reduz o número de opções realmente independentes no mercado.
Para o comprador, o efeito é duplo. De um lado, ganha a conveniência de uma suíte integrada, na qual CRM, cadência de vendas, marketing e ERP conversam nativamente. De outro, perde poder de barganha à medida que os fornecedores se concentram. Times de vendas que hoje usam um CRM independente precisam ficar atentos: a próxima aquisição pode mudar roadmap, preço e prioridade do produto que eles dependem.
Leitura crítica
Consolidar por aquisição é rápido para ganhar receita, mas difícil para gerar valor de verdade. Empilhar nove empresas em quatro anos cria um desafio de integração que costuma aparecer depois da manchete: sistemas que não conversam bem, times com culturas diferentes e clientes que compraram um produto focado e acordam dentro de um conglomerado. O crescimento de 50% a 60% das adquiridas é forte, porém precisa sobreviver à fase de integração para virar sinergia real.
A meta de R$ 1 bilhão até 2026, partindo de R$ 294 milhões em 2022, depende fortemente de M&A continuar entregando. Crescimento comprado é diferente de crescimento orgânico: ele infla o topo da linha, mas testa a disciplina de capital e a capacidade de fazer as peças funcionarem juntas. Para o cliente de CRM, o indicador a acompanhar não é quantas empresas a Sankhya compra, e sim se Ploomes e Meetime seguem evoluindo como produtos, ou se viram apenas módulos de uma suíte maior.