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Buscas sem clique no Google chegam a 68% e tráfego para a web aberta cai a 23%, mostra SparkToro

Análise de Rand Fishkin com dados da Similarweb mostra que a resposta gerada por IA absorve o clique: para cada 1.000 buscas, os sites independentes recebem hoje 232 visitas, contra 374 em 2024.

Buscas sem clique no Google chegam a 68% e tráfego para a web aberta cai a 23%, mostra SparkToro
Buscas sem clique batem 68% e o tráfego para sites independentes cai a 23%: a era do zero-click chega ao marketing.

O que aconteceu

As buscas que terminam sem nenhum clique chegaram a 68,01% no Google nos Estados Unidos entre janeiro e abril de 2026, alta de 7,5 pontos percentuais sobre os 60,45% de 2024. Os dados são de análise do SparkToro, feita por Rand Fishkin com base no painel de navegação real da Similarweb, e foram traduzidos para o mercado brasileiro pela consultoria Conversion.

O efeito sobre a web aberta é o número mais duro do levantamento: em 2026, apenas 23% dos cliques de busca chegam a sites independentes, contra 37,4% em 2024. Traduzido em volume, para cada 1.000 buscas, os sites de fora do ecossistema do Google recebem hoje 232 visitas, ante 374 dois anos atrás. É uma sangria de cerca de um terço do tráfego orgânico que a web aberta captava.

Quem ficou com o clique

A causa apontada é direta: a resposta já está na tela. Os AI Overviews, o resumo gerado por IA que o Google exibe no topo dos resultados, aparecem em mais de 20% de todas as buscas e reduzem a taxa de clique em quase 60% nessas consultas. O usuário lê a resposta sintetizada e não precisa mais visitar a fonte.

"Os AI Overviews, agora presentes em mais de 20% de todas as buscas, reduzem o CTR em quase 60%." Análise SparkToro, com dados da Similarweb

O restante do tráfego que sai da busca tende a ficar dentro do próprio ecossistema do Google, YouTube, Maps, Imagens, ou a alimentar a permanência do usuário na tela de resultados, sem repassar a visita ao site que produziu a informação.

O que muda para o Brasil

O dado é dos Estados Unidos, mas o Brasil está no mesmo trilho, e a consultoria brasileira que o divulgou fez isso justamente para alertar o mercado local. Search ainda leva 26% da verba de publicidade digital no país, segundo o IAB, o que significa que uma parcela grande do orçamento está apostada num canal cuja mecânica de retorno está mudando por baixo.

Para times de marketing e vendas, a consequência é estratégica. A meta deixa de ser apenas ranquear na primeira posição, o famoso link azul, e passa a ser ser citado dentro da resposta gerada pela IA. Isso muda o trabalho de conteúdo: estrutura clara, dados citáveis, informação objetiva que o modelo consiga extrair e atribuir. Para quem depende de tráfego orgânico como fonte de lead, o alerta é ainda mais imediato: o site que hoje traz visitantes pode ver esse fluxo minguar sem que o ranking tenha caído, apenas porque a resposta passou a ser entregue antes do clique.

Há um desdobramento para atendimento também. Com menos gente clicando e navegando, o pouco tráfego que chega ao site vem mais qualificado e mais adiantado na decisão. O visitante que atravessa a resposta da IA e ainda assim clica quer resolver, o que valoriza um atendimento rápido no chat ou no WhatsApp do outro lado.

Leitura crítica

Duas ressalvas honestas. Primeiro, os números centrais são dos Estados Unidos, e a penetração de AI Overviews e o comportamento de busca no Brasil não são idênticos, ainda que a direção seja a mesma. Segundo, quem divulgou o dado por aqui, uma consultoria de otimização, tem interesse legítimo em soar o alarme, porque vende exatamente o serviço de adaptação a esse novo cenário.

Isso não invalida a tendência, que aparece em fontes independentes e é medida sobre navegação real, não sobre opinião. O erro a evitar é o pânico simétrico ao hype: nem ignorar a queda do clique, nem abandonar tudo para correr atrás de GEO como bala de prata. A leitura equilibrada é que a busca continua sendo um canal enorme, só que com uma regra nova. Quem tratar o conteúdo como matéria-prima para a resposta da IA, e não apenas como isca de clique, atravessa a transição. Quem seguir medindo sucesso só por posição no ranking vai comemorar um primeiro lugar que traz cada vez menos gente.