Google tira o AI Max do beta e vai aposentar os Dynamic Search Ads em 2026
A empresa anunciou que o AI Max para campanhas de pesquisa substitui os antigos anúncios dinâmicos, promete 7% mais conversões com o conjunto completo de recursos e inicia upgrades automáticos em setembro.
O que aconteceu
O Google anunciou que o AI Max para campanhas de pesquisa deixou a fase de testes e passa a substituir os Dynamic Search Ads (DSA), formato que por anos permitiu gerar anúncios automaticamente a partir do conteúdo do site do anunciante. A empresa descreveu o AI Max como a próxima geração dos anúncios dinâmicos, agora com direcionamento, criativo e controles mais precisos.
Segundo o Google, campanhas de pesquisa com AI Max entregam em média 7% mais conversões ou valor de conversão, com CPA e ROAS comparáveis, quando o anunciante usa o conjunto completo de recursos: correspondência por termo de busca, personalização de texto e expansão da URL final. Centenas de milhares de anunciantes globais já rodavam campanhas com o recurso antes da saída do beta.
O cronograma da transição
A migração tem prazos definidos, e ignorá-los tem consequência prática. O calendário divulgado prevê três marcos:
- Agora: os upgrades para AI Max são voluntários, o anunciante decide quando migrar.
- Setembro de 2026: começam os upgrades automáticos e encerra a criação de novos DSA.
- Fevereiro de 2027: prazo estendido para o desligamento final dos DSA e conclusão da migração automática.
"O AI Max é a próxima geração dos Dynamic Search Ads, uma solução mais inteligente e movida a IA para preparar suas campanhas para a nova era da busca." Google Ads & Commerce Blog
Por que isso importa mais do que um upgrade de produto
O DSA sempre foi o formato em que o anunciante abria mão de listar palavra por palavra e deixava o Google casar a busca com páginas do site. O AI Max radicaliza esse gesto: além de expandir os termos de busca cobertos, a IA reescreve títulos, descrições e chamadas para ação de forma dinâmica e ainda pode ajustar a URL de destino. Na prática, o controle manual sobre o que aparece no anúncio diminui, e a caixa preta da otimização cresce.
Isso segue a direção que o Google imprime a toda a plataforma desde o Performance Max: menos alavancas nas mãos do gestor, mais decisão delegada ao modelo. Para o profissional de mídia paga, muda a natureza do trabalho, de escrever anúncios e escolher palavras para alimentar bons sinais, feeds limpos e conversões bem medidas.
O que muda para o Brasil
Para o anunciante brasileiro, sobretudo a pequena e média empresa que roda busca sem agência dedicada, a mudança chega com prazo. Quem tem campanhas DSA ativas verá o upgrade automático acontecer em setembro, queira ou não. O momento de agir é antes: revisar as conversões que a conta registra, porque o AI Max otimiza com base nelas, e testar o formato de forma voluntária enquanto ainda há como comparar com o modelo antigo.
O ponto de atenção para quem vende serviço ou lida com termos sensíveis é a expansão de termos de busca. Delegar ao Google quais consultas o anúncio cobre pode trazer volume irrelevante se as exclusões não estiverem bem configuradas. Anunciante de nicho precisa vigiar o relatório de termos de perto nas primeiras semanas.
Leitura crítica
Os 7% de ganho anunciados vêm do próprio Google, medindo o produto que ele quer que você adote, comparando o pacote completo com uma configuração parcial. É um número plausível, mas otimista por construção, e não equivale a promessa de 7% para toda conta. A direção do movimento é mais reveladora que a estatística: ao aposentar o DSA e migrar todo mundo para uma camada mais automatizada, o Google reduz o espaço de manobra do gestor e aumenta a dependência do seu modelo.
Não é necessariamente ruim para quem tem conta pequena e dado limpo, a automação costuma vencer o operador amador. O risco mora no anunciante que trata a caixa preta como piloto automático total. IA de mídia otimiza para o objetivo que você declara. Se a conversão medida é frágil ou mal configurada, o AI Max vai otimizar para a coisa errada, agora com menos janelas para você perceber. A régua sobe justamente na disciplina de medição, não na criatividade do anúncio.