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Freedom capta R$ 14,5 milhões, compra a Nalk e quer faturar R$ 500 milhões com agentes de IA

A startup de agentes de IA cresceu 900% em receita em 2025 e fez sua primeira aquisição no mercado brasileiro, dobrando a base de clientes em vendas e marketing.

Freedom capta R$ 14,5 milhões, compra a Nalk e quer faturar R$ 500 milhões com agentes de IA
Freedom capta R$ 14,5 milhões, compra a Nalk e mira R$ 500 milhões em receita com agentes de IA.

O que aconteceu

A Freedom, startup brasileira de agentes de IA, anunciou em janeiro de 2026 uma rodada de R$ 14,5 milhões liderada por Bertha Capital, com participação de Big Rider, Bossa Invest e investidores-anjo. No mesmo movimento, fez sua primeira aquisição no mercado brasileiro de IA: comprou a Nalk, plataforma de gestão de dados de marketing e vendas baseada em IA, dobrando a base de clientes. Yago Martins, fundador da Nalk, passou a atuar como advisor da Freedom.

A empresa desenvolve agentes de IA para companhias de mid-market e enterprise nas áreas de finanças, vendas, RH e operações. O CEO, Lucas Affonso, resume o modelo de negócio em uma frase: "estou vendendo mão de obra digital". Entre os clientes estão Panvel, Vibra, Grupo Cartão de Todos e Comerc.

O número do crescimento e a tese de aquisições

A Freedom avançou 900% em receita anual em 2025 e teve alta de 3.650% na receita mensal no período. A base passou de 100 empresas, e a meta para 2026 é crescer 12 vezes, saindo de cerca de 100 para mais de 500 clientes. No horizonte de cinco anos, o alvo é faturar R$ 500 milhões. A aposta declarada é usar aquisições como motor de escala: a Nalk, que estava próxima de R$ 1 milhão em receita recorrente mensal, é o primeiro movimento dessa estratégia de consolidação.

Um detalhe operacional chama atenção: a Freedom opera com um time interno de cerca de 20 pessoas, mas com produtividade equivalente a mais de 100 funcionários, graças à própria automação por IA que ela vende. A empresa usa em casa o produto que oferece, o que funciona como prova de conceito ambulante.

"Estou vendendo mão de obra digital." Lucas Affonso, CEO da Freedom

O que muda para vendas no Brasil

A aquisição da Nalk é o sinal mais relevante para o mercado de vendas. Ao incorporar uma plataforma de dados de marketing e vendas, a Freedom não está só comprando receita, está comprando carteira e capacidade de atuar diretamente no funil comercial dos clientes. A categoria de agentes de IA no Brasil começa a viver seu primeiro ciclo de consolidação, com os players maiores comprando os menores para acelerar base.

Para o gestor comercial, o recado é que a oferta de "agente de IA para vendas" vai se concentrar em menos fornecedores maiores e mais capitalizados, com produto mais amplo (vendas, finanças, RH e operações no mesmo guarda-chuva). Isso reduz o risco de comprar de um fornecedor que some em seis meses, mas aumenta a dependência de uma plataforma única. Para quem orquestra atendimento e vendas via mensageria, vale entender o ecossistema na análise da Take Blip.

Leitura crítica

Crescimento de 900% em um ano impressiona, mas parte de uma base baixa: multiplicar uma receita pequena é estatisticamente fácil, e o teste real começa agora, na meta de 12x sobre uma base já maior. A frase "vendo mão de obra digital" é um pitch forte e perigoso ao mesmo tempo, porque amarra o discurso de vendas à promessa de substituir pessoas, o que costuma gerar fricção na adoção e ruído reputacional.

A estratégia de crescer por aquisição funciona enquanto há capital barato e alvos baratos. Em um ciclo de juros alto, integrar empresas compradas (times, produtos, culturas) é onde muitas teses de consolidação tropeçam. A Nalk dobrou a base no papel; o que vai dizer se a aposta vale é a retenção dessa base herdada depois da integração. Meta de R$ 500 milhões em cinco anos é o tipo de número que serve mais para ancorar a próxima rodada do que para prever resultado. Vale acompanhar o churn, não o slide.