CRM · Reposicionamento

Moskit vira Ollow, abandona o CRM tradicional e mira R$ 100 milhões com IA para vender no WhatsApp

CRM catarinense conhecido por PMEs troca de nome e de tese: vira plataforma de estratégias conversacionais com IA no WhatsApp, anuncia R$ 10 milhões em pesquisa e projeta R$ 100 milhões de receita até 2028.

Moskit vira Ollow, abandona o CRM tradicional e mira R$ 100 milhões com IA para vender no WhatsApp
O Moskit deixa de ser só CRM: vira Ollow, aposta em agentes de IA no WhatsApp e projeta R$ 100 milhões até 2028.

O que aconteceu

O Moskit, CRM catarinense com forte base entre pequenas e médias empresas, anunciou em maio de 2026 uma mudança que vai além da marca. A empresa passou a se chamar Ollow e deixou de se posicionar apenas como ferramenta de gestão de vendas para virar, nas palavras da própria companhia, uma plataforma de estratégias conversacionais com inteligência artificial aplicada a marketing e vendas via WhatsApp. A notícia foi publicada pela Exame em 20 de maio de 2026, assinada por Bianca Camatta.

Junto com o novo nome vieram números. A Ollow nasce com cerca de 10 mil usuários ativos e afirma já ter processado mais de 150 milhões de conversas por meio do Moskit Boost, o módulo que deu origem à guinada. A empresa anunciou R$ 10 milhões em investimento em pesquisa, desenvolvimento e IA ao longo de três anos, além de um fundo de R$ 5 milhões para bancar campanhas de clientes dentro do WhatsApp. A meta declarada é chegar a R$ 100 milhões de receita até 2028.

Do funil clássico para o agente de conversa

O coração do reposicionamento são os agentes de IA. Segundo a companhia, eles funcionam como assistentes que acompanham interações, retomam contatos, sugerem próximos passos e executam fluxos de automação sem preenchimento manual. A empresa também apresentou os Campos Inteligentes, que extraem dados direto das conversas, notas e atividades para preencher o CRM automaticamente, e o Vibe Coding, recurso no qual o usuário descreve em linguagem natural o que quer e a própria IA monta fluxos e campanhas.

Comandada pelos cofundadores Daniel Semaan (CEO) e Eduardo Rodrigues (COO), a Ollow também sinaliza ampliar o foco. Antes concentrada no setor de serviços, a empresa quer avançar sobre varejo, indústria e e-commerce. O ticket médio, segundo a reportagem, quase dobrou com o novo posicionamento.

"A transformação em Ollow marca a saída da gestão de vendas tradicional rumo a uma plataforma conversacional com IA no WhatsApp." Exame, maio de 2026

O que muda para o Brasil

O movimento é sintomático do momento do CRM nacional. A Exame cita que 70% das empresas brasileiras já usam o WhatsApp em estratégias de vendas e marketing. Nesse cenário, um CRM que apenas armazena contatos e desenha funis virou commodity. O valor migrou para onde a conversa acontece, e vender pelo WhatsApp deixou de ser canal secundário para ser o centro da operação comercial da maioria das PMEs do país.

Para times de vendas, a leitura prática é que a fronteira entre CRM, atendimento e automação de mensagens está desaparecendo. Ferramentas como Kommo já nasceram nessa lógica de venda por mensagem, e agora players tradicionais de CRM correm para se reposicionar antes de perder a base. Quem escolhe ferramenta em 2026 precisa avaliar não só o pipeline visual, mas a qualidade do agente de IA que responde e qualifica dentro do WhatsApp.

Leitura crítica

Trocar de nome e de tese ao mesmo tempo é uma aposta alta. A Ollow abandona uma marca com anos de reconhecimento entre PMEs para disputar uma categoria mais quente, porém muito mais concorrida, na qual convivem desde plataformas de conversação puras até os grandes CRMs globais empilhando agentes de IA. O risco é diluir o que a empresa tinha de mais sólido, uma base fiel que comprava previsibilidade de funil, em favor de uma promessa de IA que quase todo mundo agora também faz.

Os números anunciados também merecem o filtro de sempre. R$ 10 milhões em três anos é investimento relevante para o porte, mas modesto diante do que os concorrentes globais colocam em IA por trimestre. E R$ 100 milhões até 2028, partindo de uma base de 10 mil usuários, exige mais que dobrar de tamanho com ticket em alta e churn sob controle. O indicador a observar não é o rebranding, e sim se, em 2027, os agentes de IA da Ollow de fato reduzem o trabalho manual do vendedor a ponto de justificar o ticket maior. Reposicionamento vende manchete. Retenção paga a conta.