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86% dos criadores de conteúdo já usam IA generativa, revela pesquisa da Adobe com 16 mil creators

O primeiro Adobe Creators' Toolkit Report, com 16 mil criadores em oito países via Harris Poll, mostra que a IA deixou de ser tabu no processo criativo: 76% relatam crescimento acelerado e 81% dizem produzir o que antes era impossível.

86% dos criadores de conteúdo já usam IA generativa, revela pesquisa da Adobe com 16 mil creators
Pesquisa Adobe com 16 mil creators: 86% já usam IA generativa e 76% relatam crescimento acelerado de audiência.

O que aconteceu

A Adobe divulgou, durante o Adobe MAX 2025, o primeiro Creators' Toolkit Report, um retrato de como os criadores de conteúdo estão incorporando IA generativa e ferramentas móveis ao trabalho. A pesquisa, conduzida com a Harris Poll em setembro de 2025, ouviu mais de 16 mil criadores em oito países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Índia e Austrália.

O número de abertura é o mais direto: 86% dos criadores já usam IA generativa criativa de forma ativa. E o uso vem acompanhado de percepção positiva. Setenta e seis por cento relatam crescimento acelerado do negócio ou da base de seguidores atribuído às ferramentas de IA, e 81% afirmam conseguir produzir conteúdo que de outra forma seria impossível. Outros 85% adotariam uma IA capaz de aprender o próprio estilo criativo.

Onde a IA entra no fluxo

O relatório mostra que a IA não substitui o criador, ela encurta etapas. Os principais usos são edição, ampliação de resolução e aprimoramento de imagem (55%), geração de novos ativos (52%) e brainstorming de ideias (48%). Sessenta por cento dos criadores usam mais de uma ferramenta de IA simultaneamente, sinal de um fluxo de trabalho já maduro e não experimental.

Ao mesmo tempo, o estudo não esconde os atritos. As barreiras citadas para adotar mais IA são custo alto (38%), qualidade instável do resultado (34%) e incerteza sobre como os modelos foram treinados (28%). E 69% dos criadores se dizem preocupados com o uso não autorizado de seu conteúdo para treinar IA, a tensão de fundo de todo o setor criativo.

O que muda para o Brasil

O Brasil não está entre os oito países pesquisados, mas é o segundo maior mercado de creators do mundo, o que torna os achados diretamente relevantes para as marcas que operam por aqui. Se 86% dos criadores globais já produzem com IA, é seguro assumir que o creator brasileiro segue a mesma curva, e que boa parte do conteúdo de influência que roda em campanhas nacionais já passa por alguma camada de geração automática.

Para as marcas, isso muda a régua de briefing e de checagem. Contratar um creator deixou de significar comprar apenas talento humano e passou a significar comprar um processo assistido por IA, com todas as vantagens de escala e todos os riscos de padronização. O diferencial de uma campanha volta a ser a ideia e a voz autêntica do criador, não a capacidade técnica de editar um vídeo, que a máquina democratizou. Para times de marketing, o trabalho migra de julgar produção para julgar originalidade.

Leitura crítica

O maior viés do estudo está em quem o encomendou. A Adobe vende ferramentas de IA criativa, e uma pesquisa que conclui que a IA impulsiona o negócio dos criadores serve diretamente à sua narrativa comercial. Levantamentos independentes lembram que a amostra de creators entusiastas tende a não representar o grosso da indústria criativa tradicional, que é bem mais cética. O 86% mede adoção entre quem já se identifica como criador digital, não entre todos os profissionais de criação.

Isso posto, a direção é consistente com o que se vê no mercado: a IA generativa virou ferramenta de rotina na produção de conteúdo, e os 69% de preocupação com treinamento não autorizado mostram que os próprios usuários enxergam a contradição. A leitura equilibrada é que a IA aumentou a capacidade produtiva de quem cria, sem resolver a questão de fundo sobre autoria e remuneração dos dados que a alimentam. Para o marketing brasileiro, o ganho de escala é real e imediato. O custo reputacional de conteúdo genérico e a disputa por direitos são a conta que ainda vai chegar.