E-commerce · Dados

E-commerce brasileiro fecha 2025 com R$ 235,5 bilhões e projeta R$ 259,8 bilhões para 2026

Balanço da ABIACOM aponta crescimento de 15,3% sobre 2024, com 438,9 milhões de pedidos e 94,2 milhões de compradores online. Para 2026, a entidade projeta alta de mais de 10%, puxada por IA e personalização da jornada.

E-commerce brasileiro fecha 2025 com R$ 235,5 bilhões e projeta R$ 259,8 bilhões para 2026
Setor cresceu 15,3% em 2025 e deve se aproximar de R$ 260 bilhões em 2026, segundo a ABIACOM.

O que aconteceu

O comércio eletrônico brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 235,5 bilhões, crescimento de 15,3% em relação a 2024. Os números são do balanço anual da ABIACOM (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, antiga ABComm), divulgado em fevereiro de 2026.

O volume veio acompanhado de indicadores operacionais robustos: foram 438,9 milhões de pedidos no ano, com ticket médio de R$ 536,60, e a base de compradores online chegou a 94,2 milhões de pessoas. Para 2026, a projeção da entidade é de R$ 259,8 bilhões em faturamento, com 460,87 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 562,15 e 97,06 milhões de compradores.

Quem é esse comprador

O retrato demográfico do balanço ajuda a entender onde o dinheiro circula. As mulheres respondem por 60% dos consumidores, e a faixa etária dominante é a de 35 a 44 anos, com 35% das compras. A concentração regional segue alta: o Sudeste responde por 55% das vendas, e só o estado de São Paulo carrega 32% do total nacional.

Outro dado relevante para quem desenha estratégia comercial: a classe C representa 54% dos compradores. Ou seja, a maior parte do e-commerce brasileiro não é um mercado premium, e sim um mercado de volume, sensível a preço, frete e parcelamento.

  • Faturamento 2025: R$ 235,5 bilhões (alta de 15,3%)
  • Pedidos: 438,9 milhões, com ticket médio de R$ 536,60
  • Compradores online: 94,2 milhões
  • Projeção 2026: R$ 259,8 bilhões e 97,06 milhões de compradores

O que muda para times de vendas

Para operações comerciais, o balanço confirma duas tendências que já apareciam no dia a dia. A primeira é que o e-commerce virou infraestrutura básica de venda no Brasil: com 94,2 milhões de compradores, praticamente metade da população compra online, e a régua de expectativa (prazo, rastreio, atendimento rápido) é definida pelos grandes marketplaces.

A segunda é o papel crescente da conversa no fechamento. Com ticket médio na casa dos R$ 530, boa parte das categorias exige tirar dúvida antes de pagar, e é aí que o atendimento via WhatsApp e os agentes de IA entram como camada de conversão, não como acessório. Plataformas de atendimento conversacional, como as que analisamos em Take Blip e Kommo, disputam exatamente esse espaço entre o clique no anúncio e o checkout.

"A inteligência artificial se tornará mais protagonista, tornando as jornadas de compra cada vez mais personalizadas." ABIACOM, balanço 2025 do e-commerce brasileiro

Leitura crítica

Os números merecem contexto. A alta de 15,3% em 2025 é forte, mas a projeção de 2026 implica desaceleração para cerca de 10%, sinal de que o setor amadurece e o crescimento fácil (novos compradores entrando no canal) perde fôlego. O avanço do ticket médio, de R$ 536,60 para R$ 562,15 projetados, fica próximo da inflação, o que sugere ganho real modesto por pedido.

Vale lembrar também que a entidade acaba de se rebatizar colocando "inteligência artificial" no próprio nome, o que cria um incentivo natural para enquadrar o futuro do setor em torno de IA. A tese é plausível, mas o dado duro do balanço mostra outra coisa: o e-commerce brasileiro ainda cresce sobre fundamentos clássicos, como base de compradores, frequência de pedidos e concentração em marketplaces. Para o gestor comercial, a leitura pragmática é olhar menos para a narrativa e mais para onde o balanço aponta: classe C, mobile, Sudeste e conversão assistida por conversa.