WhatsApp libera conversas com apps de terceiros na Europa por exigência do DMA
BirdyChat e Haiket são os primeiros serviços a conversar diretamente com usuários do WhatsApp no bloco europeu. Recurso é opcional, mantém criptografia ponta a ponta e atende à lei de mercados digitais da UE.
O que aconteceu
A Meta anunciou em 14 de novembro de 2025 que o WhatsApp passou a permitir, na Europa, que seus usuários conversem com pessoas de outros aplicativos de mensagem. Os dois primeiros serviços a se conectar são o BirdyChat e o Haiket. Depois de meses de testes em pequena escala, o recurso, chamado de conversas com terceiros, começou a ser distribuído pelo bloco europeu.
A mudança não nasceu de uma decisão de produto. Ela cumpre o Digital Markets Act (DMA), a lei de mercados digitais da União Europeia, que obriga plataformas dominantes a abrir a porta da interoperabilidade. A Meta afirma ter investido mais de três anos para construir a solução sem quebrar o que considera inegociável: a criptografia.
Como funciona
Usuários na Europa que ativarem o recurso (em Android e iOS) poderão trocar mensagens, imagens, áudios, vídeos e arquivos com pessoas dos apps interoperáveis. A criação de grupos entre apps diferentes chega depois, conforme os parceiros ficam prontos. Tudo isso é opcional: o usuário liga e desliga a interoperabilidade quando quiser, a partir de uma notificação nas configurações.
O ponto técnico mais sensível é a segurança. A Meta exige que os apps de terceiros usem o mesmo nível de criptografia ponta a ponta do WhatsApp. Sem isso, não há conexão. A empresa também descreve mecanismos para que o usuário escolha como as conversas com terceiros aparecem: em uma caixa de entrada separada ou misturadas à lista principal, conforme a preferência de cada um.
Esse desenho resolve um dilema antigo da interoperabilidade. Conectar redes diferentes sem quebrar a criptografia é tecnicamente difícil, porque cada serviço pode implementar protocolos distintos. A Meta optou por exigir que o parceiro se adapte ao padrão do WhatsApp, e não o contrário, o que mantém o controle do protocolo do lado dela enquanto formalmente cumpre a obrigação de abertura imposta pela lei europeia.
"Em linha com as exigências do DMA, os apps de mensagem de terceiros precisam usar o mesmo nível de criptografia ponta a ponta do WhatsApp." Meta Newsroom
O que muda para o Brasil
No curto prazo, nada muda diretamente para empresas brasileiras: o recurso é uma resposta regulatória local da União Europeia e não está disponível por aqui. Mas há um efeito de fundo que importa para quem constrói atendimento e vendas em mensageria.
A interoperabilidade abre um precedente. Se o modelo se provar viável tecnicamente na Europa, fica mais difícil para a Meta argumentar que abrir o canal é impossível em outros mercados onde reguladores venham a pressionar. Para o ecossistema de CRM e mensageria brasileiro, que hoje depende quase inteiramente da API oficial e das BSPs homologadas, qualquer movimento de abertura muda o cálculo de dependência de plataforma única. Não é para amanhã, mas é uma variável nova no mapa.
- Disponível só na Europa, por exigência do DMA.
- Primeiros parceiros: BirdyChat e Haiket.
- Opcional para o usuário, criptografia ponta a ponta obrigatória.
- Grupos entre apps diferentes virão depois.
Leitura crítica
A Meta vende o recurso como abertura, mas a empresa lutou anos contra ele e só cedeu sob a força da lei europeia. O desenho preserva o controle: a Meta define o protocolo, exige seu nível de criptografia e mantém o recurso desligado por padrão. Na prática, poucos usuários comuns vão ativar interoperabilidade com apps de nome desconhecido, e isso reduz o risco de fuga da base. É abertura no papel com fricção suficiente para que o efeito de rede do WhatsApp continue intacto.
Para o profissional brasileiro de atendimento, o valor agora é de monitoramento, não de ação. Vale observar como BirdyChat e Haiket performam, se mais apps aderem e se a experiência de conversa entre plataformas é boa o bastante para o usuário comum se importar. Se for, a conversa sobre dependência de canal único volta à mesa em algum momento.