Brasil lidera intenção de comprar via agente de IA: 76% querem usar, quase o dobro dos EUA, mostra Visa
Pesquisa global da Visa aponta o consumidor brasileiro na vanguarda do agentic commerce, com 76% dispostos a usar agentes de IA para comprar. Banco do Brasil e Visa já fizeram a primeira transação agêntica do país em março.
O que aconteceu
Uma pesquisa global da Visa colocou o consumidor brasileiro na dianteira de um movimento que ainda engatinha no resto do mundo: o agentic commerce, em que sistemas autônomos de IA buscam produtos, comparam preços e concluem compras em nome da pessoa, dentro de parâmetros que ela define. Segundo o estudo, 76% dos brasileiros pretendem usar agentes de IA para comprar, um índice quase duas vezes maior que o registrado nos Estados Unidos (44%).
O apetite vem acompanhado de confiança. 50% dos brasileiros dizem se sentir seguros usando agentes de IA em compras, 67% demonstram alta confiança em deixar um agente comprar em seu nome e 46% confiam em compartilhar dados financeiros com plataformas baseadas em IA. Entre os países analisados, o Brasil apresentou os maiores níveis de confiança percebida.
Do discurso para a transação
O dado brasileiro não é só intenção declarada. Em março de 2026, Banco do Brasil e Visa realizaram o que descrevem como a primeira transação iniciada por um agente de IA no país, usando a plataforma Visa Intelligent Commerce: o agente buscou, selecionou e concluiu uma compra de forma autônoma. Em abril, a Visa lançou no Brasil o programa Visa Agentic Ready, iniciativa global para preparar o ecossistema de pagamentos para o comércio agêntico em escala, com cinco instituições financeiras já integradas: Banco do Brasil, Bradesco, Dock, Santander e XP.
A projeção que sustenta o investimento vem da McKinsey, que estima que o comércio intermediado por agentes de IA deve movimentar mais de US$ 5 trilhões no mundo até 2030.
- 76% dos brasileiros querem usar agentes de IA para comprar (44% nos EUA)
- 50% se sentem seguros e 67% têm alta confiança em delegar a compra
- 1ª transação agêntica do país feita por Banco do Brasil e Visa em março de 2026
- Programa Visa Agentic Ready com 5 instituições integradas
- Mercado global projetado em mais de US$ 5 trilhões até 2030
O que muda para times de vendas
Se o comprador passa a delegar a decisão a um agente, muda a régua de quem vende. Deixa de valer só otimizar para o olho humano (banner bonito, vitrine caprichada) e passa a valer ser legível para máquina: dados de produto estruturados, preço claro, disponibilidade e reputação em formato que um agente consiga ler, comparar e escolher. Quem a IA não enxerga, o consumidor agêntico não compra.
Para o varejo e o B2C brasileiros, o dado de 76% é um aviso de que esse futuro chega antes por aqui do que nos EUA. O elo conversacional, em que o cliente ainda tira dúvida antes de autorizar o agente a fechar, continua central, e é onde plataformas de atendimento como Take Blip e Octadesk disputam espaço entre a intenção e o pagamento.
"O consumidor brasileiro aparece na vanguarda do agentic commerce, com os maiores níveis de confiança percebida entre os países analisados." Consumidor Moderno, sobre a pesquisa da Visa
Leitura crítica
Convém separar intenção de comportamento. 76% dizer que pretende usar agentes de IA para comprar é bem diferente de 76% comprando dessa forma, e a distância entre a enquete e a caixa registradora costuma ser grande em tecnologia nova. A pesquisa é patrocinada pela Visa, que tem interesse direto em provar que o agentic commerce vai deslanchar e que seu ecossistema de pagamentos está pronto para ele.
O entusiasmo brasileiro também merece contexto: parte da alta confiança pode refletir menos maturidade de risco do que familiaridade real, num mercado que abraçou Pix e compra por WhatsApp com velocidade rara. Ainda assim, os marcos concretos (transação agêntica feita, programa lançado, cinco bancos integrados) mostram que não é só narrativa. Para o gestor comercial, a ação sensata não é apostar tudo no agentic commerce em 2026, e sim começar a arrumar o básico que ele exige: catálogo estruturado, preço legível por máquina e reputação limpa, porque essa lição de casa serve para vender bem com ou sem agente.