Pesquisa · Vendas B2B

McKinsey: líderes de vendas B2B têm o dobro de adoção de IA generativa que os retardatários

Pesquisa com quase 4 mil decisores B2B em 13 países mostra que os líderes de mercado implementaram IA generativa a 44%, contra 22% dos concorrentes, e 90% deles relatam ganho de eficácia comercial.

McKinsey: líderes de vendas B2B têm o dobro de adoção de IA generativa que os retardatários
Líderes de vendas B2B implementam IA generativa a 44% (contra 22% dos rivais) e 90% deles relatam mais eficácia comercial, diz McKinsey.

O que aconteceu

A McKinsey divulgou os resultados da sua pesquisa B2B Pulse 2026, ouvindo quase 4 mil decisores de compras e vendas B2B em 13 países. A conclusão central é que a inteligência artificial deixou de ser diferencial pontual e virou linha divisória: as empresas que lideram seus mercados adotam IA de forma muito mais profunda que as retardatárias, e essa distância está se alargando.

O número que resume a tese é a adoção de IA generativa nos fluxos comerciais. Entre os líderes de mercado, 44% já implementaram plenamente essas capacidades, contra apenas 22% dos concorrentes de menor desempenho. E o efeito aparece no resultado: 90% dos líderes relatam melhora na eficácia de vendas, ante 55% entre os que ficam para trás. No topo, 60% dos que se veem como líderes registraram crescimento de receita de dois dígitos em 2025, contra 21% dos retardatários.

Personalização e omnicanal como sistema

A pesquisa mostra que a vantagem não vem de uma ferramenta isolada, e sim de um sistema que se reforça. Os líderes aplicam personalização um a um a 20%, contra 5% dos retardatários, e 71% dos melhores aumentaram o investimento em IA em dois dígitos no último ano, contra 25% dos demais. IA permite personalização mais precisa, personalização aumenta engajamento e conversão, e o resultado mensurável justifica reinvestir.

No pano de fundo está a consolidação do digital como canal principal. 71% das empresas B2B já oferecem e-commerce e, entre elas, cerca de um terço da receita passa por canais digitais. O comprador B2B moderno transita por uma média de dez canais na jornada de compra, e 58% dizem confiar em busca, chatbots e modelos de linguagem com IA para descobrir produtos.

  • Líderes: 44% implementaram IA generativa plenamente (22% entre os retardatários)
  • 90% dos líderes relatam mais eficácia de vendas (55% dos demais)
  • 60% dos líderes tiveram crescimento de receita de dois dígitos em 2025 (21% dos retardatários)
  • 71% das empresas B2B já oferecem e-commerce
  • Comprador B2B usa em média 10 canais na jornada

O que muda para o Brasil

Ainda que a pesquisa seja global, o recado bate direto no B2B brasileiro. A mensagem é que o atraso em IA não é neutro: enquanto o concorrente que adota IA de forma profunda melhora personalização, conversão e receita, quem fica na superfície não apenas deixa de ganhar, mas perde terreno relativo a cada trimestre. A vantagem composta descrita pela McKinsey é justamente o tipo de distância difícil de recuperar depois.

Para o gestor comercial daqui, o dado dos dez canais é o mais prático. O comprador B2B brasileiro já pesquisa no Google, pede indicação no LinkedIn, conversa por WhatsApp e espera continuidade entre eles. Integrar esses pontos numa operação coerente, algo que discutimos nas análises de Take Blip e Kommo, deixou de ser sofisticação e virou piso para não perder negócio por informação inconsistente entre canais.

"A maior divisão de desempenho está em quão profundamente as organizações incorporam IA aos fluxos comerciais." McKinsey, B2B Pulse 2026

Leitura crítica

O maior risco de interpretação aqui é confundir correlação com causa. A pesquisa mostra que líderes de mercado adotam mais IA, mas empresas que já lideram costumam ter mais caixa, mais dados e times melhores, o que facilita tanto adotar IA quanto crescer receita. Ou seja, parte do desempenho superior pode vir de a empresa já ser forte, não da IA em si.

A autoidentificação como líder também infla o retrato, já que quem se declara líder tende a reportar resultados melhores em tudo. Mesmo assim, a direção é robusta e coerente com outros levantamentos do período: profundidade de uso de IA está associada a melhor performance comercial, e a lacuna entre quem industrializa a tecnologia e quem apenas experimenta está aumentando. Para vendas B2B, a leitura pragmática é não tratar IA como projeto de inovação à parte, e sim como reengenharia do processo comercial em torno de dados, personalização e presença consistente em todos os canais que o comprador usa.