Estudo aponta que 79% das empresas usam WhatsApp em marketing, mas poucas medem retorno
Panorama da ActiveCampaign com a AnaMid ouviu 300 empresas e revelou alta adoção do WhatsApp em vendas e atendimento, ao lado de gargalos crônicos: 55,5% têm dificuldade de medir ROI e 72,7% já penaram para aprovar templates.
O que aconteceu
Um estudo divulgado em novembro de 2025 mapeou como as empresas brasileiras usam o WhatsApp em suas estratégias de marketing. O Panorama do Uso do WhatsApp em Estratégias de Marketing no Brasil, conduzido pela ActiveCampaign com apoio da AnaMid (Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital) e da 2PRO Comunicação, ouviu 300 empresas de portes e setores variados.
O resultado central: 79,3% das empresas usam o WhatsApp para marketing ou vendas. O canal aparece ainda mais forte no atendimento, com 90,8% de uso, e no pós-venda, com 66%. A adoção é quase universal, mas a maturidade fica para trás, e é esse descompasso que o estudo ajuda a quantificar.
Adoção alta, gestão imatura
A pesquisa mostra que apenas 41,2% das empresas rodam campanhas automatizadas dentro do app. Só 45% usam a API oficial, enquanto 41,2% operam com soluções não oficiais e 13,9% sequer sabem a diferença entre uma coisa e outra. Essa mistura ajuda a explicar por que tantas empresas vivem à beira do banimento sem entender o motivo, já que a via não oficial é justamente a mais vulnerável a bloqueio.
O buraco maior está na medição e no orçamento. Mais da metade, 55,5%, tem dificuldade de rastrear e medir o retorno das ações no WhatsApp. Apenas 30,6% dizem estruturar corretamente a divisão de verba entre branding e performance: 43% priorizam performance, 15% priorizam branding e 64% investem até R$ 10 mil por mês em performance. Some a isso 72,7% que já enfrentaram dificuldade para aprovar templates e 81,3% que não têm plataforma de e-commerce, e o retrato é de um canal muito usado e pouco governado.
- 79,3% usam WhatsApp em marketing ou vendas
- 90,8% no atendimento e 66% no pós-venda
- Só 45% usam API oficial, 41,2% usam solução não oficial
- 55,5% têm dificuldade de medir ROI do canal
- 72,7% já penaram para aprovar templates de mensagem
"A adoção do WhatsApp é quase universal, mas a estruturação da estratégia ainda é a exceção." Síntese do Panorama ActiveCampaign e AnaMid
O que muda para o Brasil
O estudo coloca números em uma dor conhecida de quem trabalha com CRM e vendas no Brasil: o WhatsApp entrou em todas as empresas, mas entrou desorganizado. Usar solução não oficial em quase metade dos casos significa operar sobre uma base que a Meta pode derrubar a qualquer momento, e não medir ROI significa investir no escuro, sem saber qual campanha traz cliente e qual só queima verba de template.
Para o time de marketing, a virada passa por três frentes práticas: migrar para a API oficial, instrumentar o rastreio de conversão de ponta a ponta e tratar template como ativo que precisa de método de aprovação, não de tentativa e erro. Ferramentas de atendimento e disparo, como Zenvia Conversion e Take Blip, resolvem a parte de infraestrutura, mas a governança de dados e a leitura de resultado continuam sendo tarefa da empresa.
Leitura crítica
O dado mais revelador não é o 79% de adoção, e sim o 55,5% que não consegue medir retorno. Ele mostra que o WhatsApp amadureceu como canal de conversa antes de amadurecer como canal de marketing mensurável. Muita empresa dispara mensagem, sente que funciona e nunca fecha a conta de quanto custou cada venda.
Enquanto a medição não avança, o WhatsApp corre o risco de virar o novo e-mail marketing dos anos 2000: onipresente, barato de começar e fácil de saturar. A diferença é que aqui o custo por mensagem e o risco de banimento punem o excesso de forma mais dura. Quem tratar o canal com disciplina de performance, e não como caixa de disparo, é quem vai sustentar resultado quando a novidade passar.