Kommo reajusta planos em dólar a partir de 1º de setembro: Base sobe 67% e Advanced, 40%
A página oficial de preços do CRM, consultada em 4 de agosto de 2026, anuncia que o plano Base passa de US$ 15 para US$ 25 por usuário ao mês e o Advanced, de US$ 25 para US$ 35. O Pro segue em US$ 45 e quem assinar antes da virada trava a tabela antiga.
O que aconteceu
A Kommo vai reajustar dois dos seus três planos pagos a partir de 1º de setembro de 2026. O plano Base sobe de US$ 15 para US$ 25 por usuário ao mês, alta de 66,7%. O Advanced passa de US$ 25 para US$ 35, alta de 40%. O plano Pro fica onde está, em US$ 45. O aviso está na própria página oficial de planos e preços da empresa, consultada por esta reportagem em 4 de agosto de 2026, e vem acompanhado de uma oferta de urgência: quem assinar antes da virada mantém a tabela atual de forma permanente.
Os valores acima são anunciados pela empresa, não apurados em contrato de cliente, e valem para a tabela internacional em dólar. A Kommo cobra exclusivamente em moeda americana, com assinatura mínima de seis meses e descontos progressivos para compromissos mais longos.
"A partir de 1º de setembro de 2026, o plano Base vai de US$ 15 por mês para US$ 25 e o plano Advanced vai de US$ 25 por mês para US$ 35." Kommo, página oficial de planos e preços, consultada em 4 de agosto de 2026 (tradução livre)
A tabela que vale até 31 de agosto
Vale registrar a foto do momento, porque tabela de preço envelhece rápido. Os valores abaixo são os exibidos pela Kommo em 4 de agosto de 2026, por usuário ao mês, com limites contados por assento contratado.
| Plano | Preço atual | Preço a partir de 1º/9/2026 | Contatos por assento | Leads ativos por assento | Créditos de IA por assento/mês |
|---|---|---|---|---|---|
| Base | US$ 15 | US$ 25 | 12.500 | 2.500 | 750 |
| Advanced | US$ 25 | US$ 35 | 25.000 | 5.000 | 1.250 |
| Pro | US$ 45 | US$ 45 | 50.000 | 10.000 | 2.250 |
| Enterprise | Sob consulta | Sob consulta | Personalizado | Personalizado | Personalizado |
Além do plano, a empresa vende pacotes avulsos de créditos de IA, que na mesma consulta apareciam em faixas de US$ 29 a US$ 99 por mês. Ou seja: o crédito de IA embutido no plano é um teto, não um limite elástico, e o excedente tem preço próprio.
O reajuste não chega sozinho
Três meses antes do anúncio de preço, a Kommo já havia mexido no que cada plano entrega. A documentação oficial de suporte da empresa, atualizada em 2 de junho de 2026, registra que a partir de 1º de junho de 2026 os recursos de inteligência artificial e algumas integrações passaram a variar conforme o plano, com novos limites de números de WhatsApp, contas de Instagram e uso de IA.
O item mais relevante dessa mudança é discreto e caro: segundo a mesma documentação, novos usuários do plano Base deixaram de ter acesso ao agente de IA. Os limites atualizados de números de WhatsApp e contas de Instagram, ainda de acordo com a empresa, valem apenas para clientes novos, o que preserva quem já estava dentro.
- Junho de 2026: recursos de IA e integrações passam a depender do plano contratado.
- Junho de 2026: agente de IA sai do plano Base para novos assinantes.
- Setembro de 2026: Base e Advanced sobem de preço em dólar.
Lido em sequência, o movimento é o de sempre em software de assinatura: primeiro se corta o que o degrau de entrada entrega, depois se sobe o preço desse degrau. Quem entrar no Base em setembro paga 67% a mais por um plano que já vale menos do que valia em maio.
O que muda para quem usa CRM no Brasil
A conta prática é simples e dói mais no time pequeno. Uma operação com cinco vendedores no plano Base paga hoje US$ 75 por mês. A partir de 1º de setembro, paga US$ 125. No compromisso mínimo de seis meses exigido pela empresa, a diferença é de US$ 450 para US$ 750. Em doze meses, US$ 900 viram US$ 1.500.
Quem está no Advanced com cinco assentos sai de US$ 125 para US$ 175 por mês, um acréscimo de US$ 600 ao ano. E o degrau muda de formato: a distância entre Advanced e Pro encolhe de US$ 20 para US$ 10 por usuário. Depois de setembro, subir para o Pro fica proporcionalmente mais barato do que é hoje, e o Pro é onde estão o limite de 50 mil contatos e os 2.250 créditos de IA por assento.
Há um segundo efeito que nenhuma tabela mostra: a cobrança é em dólar. Uma alta de 40% em moeda americana chega ao caixa brasileiro somada à variação cambial do período e ao IOF da compra internacional. Para quem monta orçamento anual em real, é custo que precisa entrar com margem, não com o valor de face. As faixas praticadas no Brasil estão no nosso guia de quanto custa um CRM para WhatsApp, e o retrato completo da ferramenta, na nossa análise do Kommo.
Leitura crítica
A oferta de travar o preço antigo para sempre é o pedaço mais interessante do anúncio, e o mais desconfortável. Ela transforma um reajuste em campanha de vendas com prazo, o que funciona, mas cria uma base de clientes com preços diferentes para o mesmo produto. Historicamente, contratos legados a preço travado sobrevivem até a próxima reestruturação de planos, quando o fornecedor troca os nomes dos pacotes e o legado precisa migrar. Vale assinar com essa hipótese na cabeça, e não com a palavra "para sempre" no orçamento de 2028.
O reajuste também revela onde está o custo real do CRM de 2026. Créditos de IA por assento, pacotes avulsos de crédito e agente de IA como recurso de plano superior mostram que a inferência virou insumo de preço variável dentro de um produto vendido como assinatura fixa. Subir o preço da entrada é a forma mais direta de fechar essa conta sem admitir que o modelo de cobrança por assento já não dá conta.
Por fim, o ponto que o comprador brasileiro deve levar para a mesa: a Kommo mexeu no valor entregue em junho e no preço em setembro, com três meses de intervalo. Uma negociação feita hoje só é comparável a uma negociação feita em maio se o comprador listar item a item o que saiu do plano no meio do caminho. Comparar preço de tabela contra preço de tabela, sem olhar o que cada degrau passou a entregar, é a forma mais fácil de aceitar um aumento maior do que o anunciado.