Empresas brasileiras usam IA de forma mais transformadora que a média global, aponta Deloitte
Na edição 2026 do State of AI in the Enterprise, 42% das empresas brasileiras dizem empregar IA para mudanças estruturais, contra 34% da média global. O gargalo agora é escala: só cerca de um quarto conseguiu levar 40% ou mais dos pilotos para operação.
O que aconteceu
A Deloitte divulgou a edição 2026 do relatório global State of AI in the Enterprise, produzido pelo AI Institute da consultoria. O levantamento ouviu mais de 3 mil executivos em 24 países, entre eles 115 respondentes do Brasil, e traz um retrato que contraria uma parte do senso comum: em vez de figurar como retardatário, o mercado brasileiro aparece à frente da média mundial no uso estratégico da inteligência artificial.
O dado central é que 42% das empresas brasileiras afirmam empregar IA de forma transformadora, ou seja, para promover mudanças estruturais no negócio, contra 34% na média global. Além disso, 30% das companhias no Brasil dizem redesenhar fluxos críticos em torno da tecnologia, e o uso apenas superficial é menor por aqui (27%) do que lá fora (37%).
A escala é o problema
O relatório é claro ao apontar onde a promessa ainda não virou operação. Apenas cerca de um quarto das empresas, tanto no mundo quanto no Brasil, conseguiu avançar com 40% ou mais dos seus projetos-piloto de IA para produção. No recorte brasileiro, esse número fica em 23%.
A expectativa, porém, é de aceleração no curto prazo: 49% dos líderes brasileiros dizem esperar colocar ao menos 40% dos experimentos em operação nos próximos três a seis meses, um sinal de que 2026 tende a ser o ano em que muita coisa sai do laboratório. Outro indicador de maturidade é o acesso: 82% das empresas brasileiras já autorizam o uso de IA para pelo menos 20% dos seus profissionais.
- 42% das empresas brasileiras usam IA de forma transformadora (34% global)
- 30% redesenham fluxos críticos em torno da tecnologia
- 23% já escalaram 40% ou mais dos pilotos
- 82% autorizam o uso de IA para pelo menos 20% do time
- 27% dizem ter governança madura para IA agêntica
O que muda para times de vendas
Para quem toca operação comercial, o relatório serve como termômetro de onde a maré está subindo. Se 42% das empresas já tratam IA como alavanca estrutural, a área de vendas deixa de poder tratar a tecnologia como um teste isolado de um SDR curioso e passa a precisar de um plano: onde a IA entra na qualificação de lead, no enriquecimento de dados do CRM, na redação de follow-up e na análise de conversas.
O ponto de atenção é a distância entre piloto e escala. A maioria das áreas comerciais brasileiras vive hoje na fase de experimento (um agente aqui, um resumo de reunião ali), e o dado da Deloitte mostra que transformar isso em ganho sustentado de produtividade ainda é exceção. Ferramentas de atendimento e CRM conversacional, como as que analisamos em Take Blip e Kommo, são justamente a camada onde esse salto de piloto para operação costuma ser decidido.
"A discussão sobre IA não é mais apenas tecnológica, é estratégica, econômica e principalmente sobre dados." Deloitte, State of AI in the Enterprise 2026
Leitura crítica
Vale ler o número com cuidado. A amostra brasileira tem 115 respondentes, o que é pequeno e tende a captar empresas maiores e mais digitalizadas, pouco representativas do tecido de PMEs que forma a maior parte do mercado. Além disso, autoavaliação de maturidade é notoriamente generosa: dizer que se usa IA de forma transformadora é diferente de comprovar impacto em receita ou margem, algo que o próprio relatório reconhece ao mostrar que a escala trava nos pilotos.
Ainda assim, a direção é consistente com outros levantamentos do período: o Brasil combina apetite alto por IA com dificuldade de industrializar o uso. Para o gestor comercial, a leitura pragmática não é comemorar o 42%, e sim atacar o 23%. O diferencial competitivo dos próximos trimestres não estará em quem testa mais IA, e sim em quem consegue colocar o maior número de pilotos rodando de verdade no dia a dia da venda.