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Para 82% dos vendedores brasileiros, IA vai aumentar a produtividade, aponta pesquisa do Agendor

Levantamento com 1.031 profissionais de vendas mostra que a maioria já usa IA na rotina e que 83% acreditam que a tecnologia melhora a qualidade de vida no trabalho.

Para 82% dos vendedores brasileiros, IA vai aumentar a produtividade, aponta pesquisa do Agendor
82% dos vendedores esperam mais produtividade com IA, segundo o Agendor.

O que aconteceu

O Agendor, empresa brasileira de soluções para vendas B2B, divulgou em novembro de 2025 o estudo "Panorama do uso de Inteligência Artificial nas vendas B2B no Brasil". O dado central: 82% dos profissionais de vendas esperam que a IA aumente a produtividade do seu trabalho. A pesquisa ouviu 1.031 profissionais de vendas em todo o país, com coleta realizada no segundo trimestre de 2025.

Além da expectativa de produtividade, 83,12% dos respondentes afirmam que a IA melhora a qualidade de vida profissional, e mais da metade (52,38%) já enxergam a tecnologia automatizando tarefas operacionais do dia a dia. Outros 30,26% veem a IA como parceira em decisões estratégicas. Apenas 10,28% esperam substituição de função e 1,45% acreditam que não haverá impacto.

Onde a IA já entra na rotina de vendas

O estudo mapeia em quais tarefas a IA aparece com mais frequência. A pesquisa sobre prospects e clientes lidera com 37,92%, seguida pela geração de propostas comerciais (30,36%) e pelo envio de follow-ups e e-mails (28,71%). É um retrato de adoção pragmática: a tecnologia entra primeiro nas tarefas repetitivas que consomem tempo do vendedor antes da conversa de fechamento, não na conversa em si.

A confiança na IA varia conforme o cargo. Entre diretores e heads, 72,88% se dizem confiantes; entre gerentes de vendas, 65,63%; entre coordenadores, 64,86%; e na ponta de inside sales, 54,92%. O recorte sugere que a liderança comercial puxa a adoção, enquanto o operacional ainda observa com mais cautela.

"A adoção da inteligência artificial é um ponto sem retorno na rotina das empresas de diferentes segmentos." Júlio Paulillo, cofundador do Agendor

O que muda para os times de vendas no Brasil

O número de 82% importa menos pela precisão estatística e mais pelo que revela sobre o sentimento do vendedor brasileiro: a IA deixou de ser ameaça abstrata e virou ferramenta de bancada. Quando mais da metade dos profissionais já automatiza tarefas operacionais, a vantagem competitiva migra de "ter IA" para "ter IA bem integrada ao CRM e ao WhatsApp".

Na prática, isso pressiona três frentes. Primeiro, o dado: agentes que pesquisam prospects dependem de uma base limpa e enriquecida, e empresas com CRM bagunçado não colhem o ganho. Segundo, o canal: como a maior parte da conversa comercial brasileira acontece no WhatsApp, a IA precisa operar dentro do canal de mensageria, não em uma aba separada. Terceiro, o processo: automatizar follow-up sem um playbook claro só acelera o ruído.

Para quem está montando essa camada de automação sobre o atendimento, vale entender como as plataformas de mensageria com propósito definido se posicionam, como na análise da Take Blip e na análise do Kommo.

Há ainda um efeito de equipe que o estudo deixa nas entrelinhas. Quando a liderança comercial confia mais na IA do que o operacional de inside sales, abre-se uma lacuna de expectativa: o diretor cobra resultado de uma ferramenta que o vendedor da ponta ainda não dominou. Fechar essa lacuna exige treinamento prático, não comunicado interno. As empresas que tratarem a adoção de IA como mudança de processo, com playbook, métrica e acompanhamento, vão extrair o ganho prometido; as que tratarem como compra de software vão ver a ferramenta parada três meses depois.

Leitura crítica

Pesquisas de adoção de tecnologia conduzidas por fornecedores da própria tecnologia carregam viés de seleção: quem responde a um estudo do Agendor tende a ser cliente ou prospect já inclinado a ferramentas digitais. O 82% reflete a expectativa de um público predisposto, não necessariamente do vendedor médio do interior que ainda fecha negócio por planilha e telefone.

Dito isso, a direção é robusta. A diferença entre "espero que a IA aumente minha produtividade" e "minha produtividade aumentou" é o gargalo real de 2026: muitas equipes compram a ferramenta, mas não redesenham o processo, e o ganho prometido evapora. O número que vale acompanhar no próximo ciclo não é a expectativa, é a produtividade medida em pipeline gerado e taxa de conversão. Expectativa alta sem método vira frustração rápida.